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Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

 

Luís Sepúlveda, As Rosas de Atacama, Porto Editora, Outubro de 2011, 142 páginas (há uma edição de 2001 da Editorial ASA).

 

Pequenos textos de grande beleza, onde, como se lê na contracapa, se pretende dar voz aos "marginais", àqueles de quem ninguém fala. Aliás, o autor explica como nasceu a ideia: de uma frase gravada numa pedra que viu no campo de concentração de Bergen Belsen, na Alemanha, e que dizia "Eu estive aqui e ninguém contará a minha história".

 

No seu deambular de "marginal", conta histórias marginais, factos que ficaram gravados na sua memória, de pessoas excepcionais, ainda que não conhecidas pela História. Percorre vários países europeus e fala de pessoas comuns que conheceu e das suas vivências de luta contra a injustiça: na Polónia, nas vítimas do nazismo, no sofrimento do povo das Astúrias, um exemplo para todos os refugiados, do maio de 68 em Paris; percorre a América Latina, manifesta-se na defesa da Patagónia, sofre com os que lutaram contra Pinochet, etc.

 

Pequenas histórias de grande sensibilidade e beleza, como aquela que dá o título ao livro, relatando uma viagem pelo deserto de Atacama, onde entendeu "porque é que a pele dos habitantes de Atacama se mostra prematuramente envelhecida, marcada por sulcos deixados pelo sol e pelos ventos impregnados de salitre" e onde dormiu, acompanhado pelo seu amigo Fredy, naquele dia 31 de Março e, ao acordar, viu "que o deserto estava vermelho, intensamente vermelho, coberto de pequenas flores cor de sangue"

" — Ali as tens. As rosas do deserto, as rosas de Atacama".