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Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

 

 

Teolinda Gersão, A Cidade de Ulisses, Sextante Editora, Março de 2011, 206 páginas.

 

Tendo como ponto de partida um convite para realizar uma exposição sobre Lisboa, o protagonista desta história recorda um grande amor, com as suas turbulências, avanços e recuos.

 

A história é pretexto para falar de Lisboa, a cidade de Ulisses, dos factos marcantes da sua história até ao presente. A personagem assemelha-se a Ulisses na sua peregrinação, em busca do amor perdido, em busca da sua cidade, também ele fazendo uma viagem de regresso.

 

Aqui se misturam a história e o mito, as artes plásticas e a literatura, pois os protagonistas são artistas plásticos em busca da perfeição.

 

Um romance de amor: amor entre um homem e uma mulher, amor pela sua cidade e pelo seu país, amor pela sua arte.

 

 

 

Elizabeth Gilbert, Comer Orar Amar, Bertrand Editora, 2010, 372 páginas.

 

 

Num tempo em que os livros de auto-ajuda estão na moda, a protagonista desta história conta-nos como decidiu dar uma grande volta à sua vida, deixando um casamento terminado, um trabalho estável, e partindo em busca de si mesmo para bem longe da sua cidade, da casa que deixa de ter, do emprego, dos amigos e familiares.

 

Vive primeiro em Itália, onde se delicia, sem restrições, com a riqueza da gastronomia italiana. Parte depois para a Índia, seguindo, numa aldeia recôndita, os ensinamentos da meditação, do desprendimento dos bens materiais e procurando conhecer-se a si mesma. Por fim, é na Indonésia que encontra de novo o amor, se encontra a si própria e recomeça a sua vida com mais tranquilidade. 

 

Para ler com algum distanciamento.

 

 

Lívia Borges, Julia Felix - frescos de Pompeia, Editorial Presença, Maio de 2011, 498 páginas.

 

 

Romance histórico, situado no século I da nossa era, retratando a vida na cidade de Pompeia nos anos que antecederam a grande erupção do Vesúvio, e acompanhando os sobreviventes alguns anos após a destruição da cidade.

 

A autora tomou por base o que podemos visitar na zona arqueológica, aproveitando os nomes dos cidadãos representados nas inscrições e dando-lhes vida. Construiu, assim, uma história feita das vivências de uma mulher, Júlia, e através dela dando-nos um relato do que seria a vida numa cidade romana daquela época.

 

Uma narrativa viva e intensa que, respeitando o rigor histórico, não cai na monotonia de temas já repetidos, mas nos entusiasma pelo seu discurso muito actual e pela força e humanidade desta mulher que luta e ultrapassa todas as barreiras.

 

 

Paulo Bugalho, A Cabeça de Séneca, Gradiva, Maio de 2011, 353 páginas.

 

 

Romance de estreia do autor, mereceu o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2010, instituído pela Estoril-Sol.

 

Discurso denso de análise psicológica, revela personagens complexas, especialmente Pedro, o protagonista da história.

 

O espaço vai de Lisboa a Sintra e ao Alentejo, trazendo-nos recortes das vivências de três jovens amigos, situados numa sociedade em mudança. Em Pedro e no seu avô (sempre assim designado pois é isso que ele representa, um mundo que está a desaparecer) vemos reminiscências da família Maia de Eça de Queirós, nesse retrato de uma certa aristocracia em vias de extinção, perante um mundo de novos-ricos, no Portugal dos anos que se seguiram a Abril de 1974.

 

O título remete-nos para um ambiente de estudo, da juventude universitária envolvida em trabalhos de investigação, temas que acabam por deixar para trás dedicando-se a algo mais prático e mais contemporâneo.

 

Uma narrativa rica e fluente, de grande riqueza de linguagem, que explora os recônditos escondidos da alma humana e revela uma profunda formação clássica, com constantes recorrências ao filósofo latino Séneca e à poesia de Horácio e sua filosofia.

 

 

 

 

 

Tânia Ganho, A vida sem ti, Oficina do Livro, 2005, 245 páginas.

 

 

Uma história de amor do nosso tempo, contada pela protagonista, num discurso introspectivo que põe em questão toda a sua vida.

 

Tendo muito de autobiográfico, a protagonista desta história é tradutora de livros, vive em Londres e tem uma vida amorosa instável, em constante mudança de namorados, avessa a compromissos e ao casamento. Vive, então, um grande amor que a leva a mudar todos os seus planos, a fixar-se em Inglaterra, deixando para trás os amigos, a família, a sua casa em Lisboa.

 

Mas, mais uma vez, esse projecto não dá certo. Depois, uma tragédia familiar leva-a a rever toda a sua vida, as suas prioridades, os seus sentimentos.

 

Os espaços retratados vão de Coimbra a Lisboa e a Londres.

 

Um romance do mundo contemporâneo, um discurso simples, sem pretensões, que retrata vivências do quotidiano, questionando as prioridades da vida.

 

 

Nuno Camarneiro, No meu peito não cabem pássaros, D. Quixote, 2011, 190 páginas.

 

 

Um livro que seduz pela beleza da sua linguagem. O autor, um jovem, estreante com este livro, embora já com alguns contos publicados em colectâneas.

 

Três personagens, três vidas, três cidades em diferentes locais do globo. Uma narrativa situada em diferentes espaços, tendo em comum um mesmo tempo (o ano de 1910), uma época marcada por um fenómeno extraordinário, a passagem de um cometa. As três personagens, todas ligadas à literatura, vão alternando nos diferentes capítulos da obra, dando-nos alguns registos da sua vida, num tom reflexivo, que nos mostra aspectos marcantes da sociedade e da relação do indivíduo com os problemas do dia-a-dia, reagindo à adversidade e procurando sobreviver.

 

Para ler de um fôlego e deixar-se arrastar pela magia das palavras, prestando um tributo à arte literária,à poesia.

 

 

Romance histórico, publicado pela Porto Editora em Julho de 2011, 281 páginas.

 

 

Uma narrativa que entusiasma, uma linguagem que cativa pela sua clareza, pela sua poesia, um relato de emoções e sentimentos vividos na maravilhosa Veneza, com os seus românticos canais, num ambiente de arte e de magia.

A descrição de uma época da história em que a intriga política, os interesses económicos e a supremacia dos grandes e poderosos se sobrepunham aos valores da vida humana e da liberdade individual.

 

Alternando a actualidade com o século XVII, somos transportados até ao espaço da criação e da arte dos famosos vidros e cristais de Murano pela mão de Leonora Manin que, fugindo do bulício da Londres contemporânea, procura em Veneza as suas raízes familiares e artísticas, resgatando a memória do seu antepassado, grande artífice do vidro, e dando continuidade à sua arte, ao mesmo tempo que vive um grande amor.

 

Marina Fiorato é uma inglesa de ascendência veneziana

 

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