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Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

J.Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa, Quetzal, 1ª ed. 2010, 2ª ed. 2011, 230 páginas.

 

Sendo, para mim, a 1ª obra deste autor, foi uma revelação. 

Numa escrita em que o culto da palavra é importante, uma narrativa que entusiasma do princípio ao fim. O sonho e a realidade acabam por dar as mãos nestas histórias de amor, nas ilusões, tristezas e desilusões de personagens que encarnam muito do que são os sentimentos abafados em cada um de nós. A  realidade e a frustração, a coragem de assumir, alguma vez, a verdade, num mundo de hipocrisias, de mentiras, de preconceitos.

A amizade entre dois homens, amigos de infância que se reencontram muito mais tarde, com os seus percursos de vida bem diferentes, leva à recordação do passado, à consciência dos sonhos desfeitos, e acaba por ter consequências desastrosas, ao abalar a rotina das suas vidas.

Num ambiente rural, a poesia do campo, da natureza, na sua braveza, contrasta com a desumanidade das gentes, daqueles que não entendem as diferenças, que não perdoam aos que saíram das suas vidas rotineiras. Os sonhos são abalados, os sentimentos deturpados, a poesia desfaz-se perante a dura realidade.

As personagens movem-se em ambientes contrastantes: a vida comezinha do campo contrasta com a vida de uma pequena cidade de província; os valores e formas de pensar de portugueses em flagrante antítese com a mentalidade holandesa, o passado bem diferente do presente. Estas diferenças geram choques, de culturas, de sentimentos, de reacções. Mas, no fundo, é a alma humana que se desvenda, com todos os seus problemas, com as suas dúvidas, com as suas interrogações, mas também com a sua ânsia de viver, de conhecer, de compreender, de amar e sentir-se amada.