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Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

Leituras

divulgação de livros; comentário de obras lidas; opiniões; literatura portuguesa; literatura estrangeira

 

Mário de Carvalho, Quando o Diabo Reza, Tinta-da-China, Outubro de 2011, 164 páginas.


O livro apresenta um subtítulo "vadiário breve". É, realmente, da vida de vadios que, essencialmente, nos fala esta obra.

 

Duas realidades, dois grupos sociais, um retrato do nosso tempo. 

Aborda-se o problema dos idosos, da forma como são tratados, expostos à ganância familiar, que sonha com a herança, e à cobiça dos que fazem da burla e do aproveitamento dos mais frágeis o seu modo de vida. 

O narrador explora a vida dos grupos organizados, de pessoas que vivem de "esquemas" para sacar algum aos indefesos, da forma como engendram um plano quase perfeito para um golpe em grande, com todos os pormenores, mas que nem sempre dá certo e acaba por não obter o resultado pretendido.

O idoso, vítima em casa e na rua, é o mais prejudicado, quando, finalmente, se apercebe de quanto eram falsas as simpatias e os tratamentos de amizade que, de repente, dois estranhos lhe dedicam.

À família aplica-se o velho ditado "quem espera por sapatos de defunto toda a vida anda descalço". Os sonhos de cada um ficam por cumprir, sobra a falta de carinho filial, o abandono daquele que toda a vida trabalhou e lutou pela família e os atrasos da justiça que, quando é preciso, nada resolve.

Uma ironia amarga perpassa toda a obra que relata uma realidade, infelizmente bastante presente.

A linguagem usada pretende transmitir, nos diálogos, o calão próprio de grupos sociais marginais e sem cultura.