Sábado, 30 de Março de 2013

O Ano Sabático

João Tordo, O Ano Sabático, D.Quixote, Janeiro de 2013, 205 páginas.

 

" Uma vez, num dia especialmente difícil, Hugo foi procurar a um dicionário a definição de fracasso. Leu palavras que nunca usava: malogro; ruína; estrépito. Nessa tarde, deitado na cama do apartamento de Saint-Henri, deu-se conta de que não conseguiria tocar nessa noite."

 

Hugo é um músico, toca contrabaixo, que despertou já tarde para essa vocação. Vive no Canadá há uns anos, onde se entrega a excessos, na busca de um sentido para a sua vida, sentido que não encontra. Decide então regressar a Lisboa, vai para casa da irmã gémea, para, segundo ele, tirar um "ano sabático", um ano em que não toca, nada faz, em que espera encontrar a paz desejada e as respostas para as suas interrogações.

Mas este regresso a casa vai transformar-se num tormento ainda maior, a partir da noite em que assiste a um concerto de um pianista, que ele não conhecia, mas que estava com grande sucesso. É que, no meio das composições dessa noite, o pianista toca uma música que Hugo andava há muito a compor e ainda não tinha conseguido terminar. Como podia aquele desconhecido conhecer a música que apenas existia no seu pensamento?

Hugo entra, então, numa busca desesperada, procura o pianista, procura uma resposta. Será ele o seu irmão gémeo que morreu apenas com algumas horas de vida?

Esta é a narrativa de um homem em busca do seu EU, um eu incompleto e que nunca chega a alcançar a plenitude, um eu em busca da sua outra metade. Esta angústia leva Hugo à loucura e ao suicídio, depois de, no seu íntimo, ter matado o outro, o pianista Stockman.

 

O livro é dividido em duas partes.

Na segunda parte é o narrador/autor que nos fala do seu amigo, o pianista Luís Stockman, e da forma como ele, depois de ter lido uma carta que Hugo escreveu antes de se suicidar, viaja para o Canadá, em busca de uma resposta para tudo o que se passou.

Nesta segunda parte o narrador/autor, constrói connosco a sua narrativa, apresenta-a como real, tendo mudado apenas os nomes das personagens, e, através das cartas e telefonemas do seu amigo, vai contando uma outra história que encaixa na primeira e parece completá-la.

 

Um romance fora do comum, uma narrativa que nos intriga a princípio, mas que nos toca profundamente e nos faz ler até ao fim; a narrativa de um homem e do seu duplo, o ser incompleto que procura o seu eu mais profundo.

publicado por isa às 18:49
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. O vendedor de passados

. BARROCO TROPICAL

. A Amiga Genial

. Se Eu Fosse Chão

. O Lugar Supraceleste

. Horizonte

. Prosas Desfocadas

. Mal Nascer

. A Desumanização

. Retrato de Rapaz

.arquivos

. Julho 2017

. Junho 2017

. Outubro 2016

. Novembro 2015

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Outubro 2013

. Julho 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

.tags

. todas as tags

.contador de visitas

blogs SAPO

.subscrever feeds